(...) perdia-me na sonoridade
daquela voz,
tão tímida e ponderada,
que, no uso daquele sotaque
gostoso de se escutar,
narrava suas histórias mais
cômicas.
Pois é. Estava, eu, lá. –
Confessou Tião, sorrindo com o canto da boca, totalmente nostalgiado.
Finalmente estava me permitindo ser
atencioso com alguém.
Lembro que a luz local conseguia
deixar sua pele menos branca,
seu rosto, em perfil, ficava, a
cada gole de cevada, mais rosado.
Sua boca, detentora de lábios
finos, cor de pele,
Se ajustava feito moldura naquele
sorriso tão singular.
Nem mesmo o brilho gerado pelo
metal que lhe envolvia
conseguia tirar sua imensa
magnitude.
Seus olhos...
Bem, estes eram castanhos e
pequenos.
Se escondiam atrás de uma camada
espessa de vidro,
rodeada por uma armação preta que
se amoldava, simetricamente,
acima de seu nariz e escondia
suas pálpebras avermelhadas.
Eles possuíam um certo magnetismo,
Conseguiam absorver minha
atenção.
Me deixavam cada vez mais
curioso.
Confuso.
Disperso.
Então, sob um movimento leve à
esquerda,
aqueles olhos pousaram nos
meus...
Eram fortes, penetrantes.
E dissipavam minha atenção.
Sua própria voz, que me encantava,
naquele momento soava feita
canção estrangeira.
Eu não entendia a letra,
apenas sentia o ritmo.
Por questões de segundos, não
consegui me desviar.
Aquele olhar despia minha alma.
Estavam alcançando minhas mais
profundas vontades...
Aquela sensação era estranha,
desconfortável e
Simplesmente, emocionante.
Eu...
só não podia deixar que isso
acontecesse...
Então,
meio sem graça,
com um sorriso estampado no
rosto,
inclinei minha cabeça,
refugiando meus olhos sob a mesa que nos aproximava.
inclinei minha cabeça,
refugiando meus olhos sob a mesa que nos aproximava.
- vocês vão querer mais alguma coisa?Moço?Moço?O Sr. Vai querer mais alguma coisa?A casa já está fechando, sua conta deu....
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