domingo, 16 de março de 2014

Mesa de bar.


(...) perdia-me na sonoridade daquela voz,

tão tímida e ponderada,
que, no uso daquele sotaque gostoso de se escutar,
narrava suas histórias mais cômicas.

Pois é. Estava, eu, lá. – Confessou Tião, sorrindo com o canto da boca, totalmente nostalgiado.
Finalmente estava me permitindo ser atencioso com alguém.

Lembro que a luz local conseguia deixar sua pele menos branca,
seu rosto, em perfil, ficava, a cada gole de cevada, mais rosado.
Sua boca, detentora de lábios finos, cor de pele,
Se ajustava feito moldura naquele sorriso tão singular.
Nem mesmo o brilho gerado pelo metal que lhe envolvia
conseguia tirar sua imensa magnitude.

Seus olhos...
Bem, estes eram castanhos e pequenos.
Se escondiam atrás de uma camada espessa de vidro,
rodeada por uma armação preta que se amoldava, simetricamente,
acima de seu nariz e escondia suas pálpebras avermelhadas.

Eles possuíam um certo magnetismo,
Conseguiam absorver minha atenção.
Me deixavam cada vez mais curioso.
Confuso.
Disperso.

Então, sob um movimento leve à esquerda,
aqueles olhos pousaram nos meus...

Eram fortes, penetrantes.
E dissipavam minha atenção.

Sua própria voz, que me encantava,
naquele momento soava feita canção estrangeira.
Eu não entendia a letra,
apenas sentia o ritmo.

Por questões de segundos, não consegui me desviar.
Aquele olhar despia minha alma.
Estavam alcançando minhas mais profundas vontades...

Aquela sensação era estranha, desconfortável e
Simplesmente, emocionante.

Eu...
só não podia deixar que isso acontecesse...

Então,
meio sem graça,
com um sorriso estampado no rosto,
inclinei minha cabeça,
refugiando meus olhos sob a mesa que nos aproximava.

- vocês vão querer mais alguma coisa?
Moço?
Moço?
O Sr. Vai querer mais alguma coisa?
A casa já está fechando, sua conta deu....

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