domingo, 8 de março de 2020

Rotina


Seis da manhã.
Acordo pensando como é encantador o jeito como se porta;
a sonoridade da sua voz; as suas brincadeiras descontraídas.
.
É formoso o teu sorriso, tão impreciso;
seus olhos, compenetrantes;
seus lábios, singulares.
.
Gosto do não liso de teus cabelos;
do seu queixo delineado;
da cor castanha que se aprisiona em seu olhar.
.
Ao chegar a tarde fico imaginando nós,
deitados n'uma cama,
melando o nariz alheio de sorvete,
cheio de papeis, fazendo planos de uma vida
(conjunta, talvez, quem sabe?!)
.
Seus gatos...
estariam andando pelo chão,
a reclamar nossa atenção.
.
Queria cuidar de ti,
te proteger, te dar amor.
Queria poder dizer o que sinto,
como te vejo, te desejo.
.
Queria tanto os seus beijos
acompanhado do enlaçar de seus abraços.
.
Chega cinco horas da tarde
e, durante a caminhada,
vou ensaiando mil maneiras de me revelar.
Mil maneiras para expor todo esse sentimento.
.
Mas logo a noite,
assim que te vejo,
me lembro que tens outro...
.
Retraído, me afasto.
Guardo, então, todos esses planos.
Vou me consolando no colo do meu travesseiro.
.
Novo dia raia... e tudo se repete.
.
Seis da manhã.
Acordo pensando como é encantador o jeito como se porta;
a sonoridade da sua voz; as suas brincadeiras descontraídas
.
(...). 

Um dia, quem sabe, eu possa, enfim, te dizer o quanto gosto de você.
O quanto quero, contigo, sonhar teus sonhos.
Voar nas nuvens e até mesmo construir um castelo só nosso.
Um nosso mundo a dois.